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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Espetáculo ou sociabilidade?


Texto escrito por Gabriel Silva

Um filho pergunta ao pai:

Será que posso jogar com eles?

O pai responde:

Por qual razão não poderia?

O menino argumenta:

Porque eles são melhores a mim!

O pai reflexivo responde:

Mas o esporte não é para os melhores e sim para todos.

Certa vez, em uma quadra pública localizada na orla da praia de uma cidade anônima, praticavam vôlei de praia um grupo de quatro amigos da qual o nível técnico que apresentavam era admirável de se assistir. Alguns que passavam fazendo suas caminhadas diárias paravam para acompanhar um pouco daquele momento. Pessoas próximas á partida se atentavam aos bonitos e charmosos movimentos técnicos do vôlei que seus jogadores aplicavam.

Aos que assistiam aquele jogo consideravam o vôlei um esporte fácil a se praticar, visto a facilidade que o grupo imprimia.

O filho que então fora incentivado pelo pai a jogar ali junto daqueles outros, decide, portanto a se declarar o próximo a entrar.

Conforme combinado, o menino que havia jogado poucas vezes o vôlei de praia, mas que tinha muita vontade de aprender, presenciou sua dupla perder de 7 x 0 e serem derrotados ao encostar apenas duas vezes na bola.

Após tal insucesso, um dos jogadores o informou que não poderia mais jogar, pois seu nível estava á baixo ao deles.

O menino se aproxima ao pai e o questiona novamente:

Eu lhe disse que era ruim, porque pediu para eu jogar mesmo assim?

Ora, filho, mas quem disse que é preciso ter grandes habilidades para praticar qualquer que seja o esporte?

Não deveria ter jogado. Todas as pessoas que os assistiam se dispersaram depois que eu entrei. O “espetáculo” acabou e eu estraguei o jogo deles.

O pai, com um sorriso torto concluiu:

O errado não foi você ter jogado e perdido. O errado foram eles não ter lhe ensinado e deixado você participar novamente.

A moral que a história nos traz é oculta e deve haver uma profunda reflexão para entender e compreender que o esporte deve ser encarado além de movimentos corporais, além de movimento saúde, e além de um espetáculo. Apesar de todas essas possibilidades, o grande desafio para quem intermédia o esporte é promover uma prática igualitária e justa aos que ali praticam. Caso contrário, pode haver graves conseqüências, inclusive transtornos psicológicos.

Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.


domingo, 21 de fevereiro de 2021

A relação de Martin Luther King Jr. com o esporte

 

Texto escrito por Gabriel Silva

Ora, Gabriel, mas o que tem a ver uma coisa com a outra? Martin foi um líder da revolução negra, da qual lutou pela agregação de sua classe racial. E o esporte é uma prática de movimentos corporais.

Se pensarmos o esporte enquanto educação social, desenvolvimento humano, formação de pessoas, iremos remeter aos mesmos conceitos de inclusão que Martin tanto lutou no passado.

O esporte, sobretudo em contextos educacionais, bem como escolas, projetos sócio-esportivos e até em alguns casos do alto rendimento deve-se prezar pela prática justa entre os praticantes.

Mas como se determina se algo é justo ou injusto?

O próprio Martin, em seu livro “Porque não podemos esperar” difere a justiça da injustiça. Assim, ele relata que algo justo é aquilo que se enquadra e está em harmonia com leis morais. E o injusto, aquilo que não se enquadra e não se harmoniza com a lei moral.

Segundo ainda, São Tomás de Aquino: “Qualquer lei que eleva a personalidade humana é justo. Qualquer lei que degrada a personalidade humana é injusto”.

Neste sentido, quando ocorre à segregação no esporte seja ela em qualquer aspecto: gênero, físico, mental, social, racial, está sendo praticado, portanto, a injustiça.

Recentemente, nas redes sociais (instagram) viralizou um vídeo, em uma partida de futsal, na qual um dos atletas não continha movimentos com as pernas, assim, ele jogou sobre quatro apoios e suas ações com a bola eram realizadas com uma das mãos.

Este momento foi marcante aos que assistiram e ficou claro que o ato de justiça é algo simples e que precisa ser propagado com mais freqüência no contexto esportivo.

Luther King Jr. em sinal de exemplo e integridade optou pela não violência em suas marchas de reivindicação, logo a maior força de seu grupo era o exemplo, o amor e o poder de contagiar as pessoas de maneira gradativa. Aos que observavam tal movimento se encantavam e mesmo sem ouvir uma única palavra se juntavam aos outros. No final um grupo que se iniciou relativamente pequeno se expandiu a números significativos.

Não se resume em impor as regras, ou exigir a todo custo que o esporte seja para todos, mas apresentar os verdadeiros valores que a prática em conjunto pode vir a promover uma sociedade saudável sem a segregação de nada ou ninguém.

Logo, Martin Luther King Jr. tem sim, tudo a ver com o esporte.

Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

 

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Meninos e meninas podem praticar esporte juntos?

 

Meninos e meninas podem praticar esporte juntos?


Texto escrito por Gabriel Silva

Na atualidade, a única modalidade esportiva capaz de unir o sexo masculino e feminino num modelo formal é o hipismo. Sem restrição de categorias e regras o hipismo também considerado esporte olímpico atende os dois gêneros sem desigualdades.

Já em praticamente todas as outras modalidades há a separação entre meninos e meninas, homens e mulheres.

Pela ótica da fisiologia, o sexo masculino possui maior aptidão física em relação ao feminino. Por conseqüência a divisão das categorias são justas e indiscutíveis.

Pensando principalmente em esportes de invasão ambos os sexos podem atuar juntos até a puberdade, que varia dos oito aos 13 anos. A partir deste período os corpos começam a ganhar proporções diferentes de modo que inicia o diferencial masculino, no aspecto físico.

Mas e dentro da escola e dentro de projetos sociais da qual não há a possibilidade de criar outros horários de atividade, alem de ser importante a interação entre os alunos? Como trabalhar isso?

O esporte quando chega ao contexto escolar e em projetos sociais deve entrar com uma configuração diferente em relação a clubes e formações de atletas. Neste sentido Altmann (2011), diz que o esporte pode ser apresentado enquanto lazer, saúde, prazer e sociabilidade.

O profissional da educação física se encontra como um dos principais intermediadores desta questão entre gênero e esporte. São a partir de atividades em conjunto de ambos os sexos que poderá iniciar uma ressignificação destes valores que o esporte agrega e por conseqüência esplandecer a importância da relação entre meninos e meninas num mesmo esporte, jogo ou brincadeira.

Embora, em determinados casos os meninos irão apresentar maior habilidade ou maior capacidade física, as meninas também irão se sobressair em relação aos meninos em outras oportunidades. Vale lembrar que a ideia não é apresentar que um é melhor que outro. A ideia é que o esporte seja uma ponte a aspectos sociais, promover a igualdade e uma prática esportiva saudável, de modo que todos possam participar de maneira igual. Jogando o mesmo tempo. Participando com a mesma freqüência e sentindo o gosto da vitória e da derrota na mesma proporção.

Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

 

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