Texto escrito por Gabriel Silva
Um
filho pergunta ao pai:
Será
que posso jogar com eles?
O pai
responde:
Por
qual razão não poderia?
O
menino argumenta:
Porque
eles são melhores a mim!
O pai
reflexivo responde:
Mas o
esporte não é para os melhores e sim para todos.
Certa
vez, em uma quadra pública localizada na orla da praia de uma cidade anônima,
praticavam vôlei de praia um grupo de quatro amigos da qual o nível técnico que
apresentavam era admirável de se assistir. Alguns que passavam fazendo suas
caminhadas diárias paravam para acompanhar um pouco daquele momento. Pessoas
próximas á partida se atentavam aos bonitos e charmosos movimentos técnicos do
vôlei que seus jogadores aplicavam.
Aos
que assistiam aquele jogo consideravam o vôlei um esporte fácil a se
praticar, visto a facilidade que o grupo imprimia.
O
filho que então fora incentivado pelo pai a jogar ali junto daqueles outros,
decide, portanto a se declarar o próximo a entrar.
Conforme
combinado, o menino que havia jogado poucas vezes o vôlei de praia, mas que
tinha muita vontade de aprender, presenciou sua dupla perder de 7 x 0 e serem
derrotados ao encostar apenas duas vezes na bola.
Após
tal insucesso, um dos jogadores o informou que não poderia mais jogar, pois seu
nível estava á baixo ao deles.
O
menino se aproxima ao pai e o questiona novamente:
Eu lhe
disse que era ruim, porque pediu para eu jogar mesmo assim?
Ora,
filho, mas quem disse que é preciso ter grandes habilidades para praticar
qualquer que seja o esporte?
Não
deveria ter jogado. Todas as pessoas que os assistiam se dispersaram depois que
eu entrei. O “espetáculo” acabou e eu estraguei o jogo deles.
O pai,
com um sorriso torto concluiu:
O errado não foi você ter jogado e perdido. O errado foram eles não ter lhe ensinado e deixado você participar novamente.
A
moral que a história nos traz é oculta e deve haver uma profunda reflexão para
entender e compreender que o esporte deve ser encarado além de movimentos
corporais, além de movimento saúde, e além de um espetáculo. Apesar de todas
essas possibilidades, o grande desafio para quem intermédia o esporte é
promover uma prática igualitária e justa aos que ali praticam. Caso contrário,
pode haver graves conseqüências, inclusive transtornos psicológicos.
Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal,
as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na
formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.


