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domingo, 21 de março de 2021

Metodologia ativa

 

Texto escrito por Gabriel Silva

“Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender”. Paulo Freire (1997)

A metodologia apresentada aqui é a “ativa” da qual consiste em ativar o aluno ao protagonismo das aulas de modo que o professor sai de cena e o educando se torna o centro do aprendizado.

Mas como conseguir aplicar esta metodologia nas aulas?

O importante neste processo é que o conhecimento ocorra de maneira espontânea, isto é, que os alunos aprendam ao ensinar, aprenda de acordo com o compartilhamento das ideias dentro do contexto coletivo. Uma das possibilidades é estimular pesquisas em grupos, exposição de opiniões sobre determinados conteúdos (filmes, livros, séries), promover discussões com a turma, rodas de conversas, saber responder todos os alunos de maneira igualitária sem que menospreze suas visões. De maneira geral, os educandos devem aparecer mais que o próprio professor durante as aulas.

Valéria Vernaschi Lima (2016) relata:

As raízes da utilização de metodologias ativas – MA na educação formal podem ser reconhecidas no movimento escolanovista. De modo geral, são consideradas tecnologias que proporcionam engajamento dos educandos no processo educacional e que favorecem o desenvolvimento de sua capacidade crítica e reflexiva em relação ao que estão fazendo. Visam promover: (i) pró-atividade, por meio do comprometimento dos educandos no processo educacional (pg.9).

Este tipo de método traz por objetivo, além de promover alunos mais participativos e autônomos à ideia de que quem ensina aprende mais daquele que apenas ouve, vê ou lê.

Partindo do pressuposto de uma das frases marcantes de Paulo freire (1997) que diz: quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender. Logo se chega à reflexão que quando o próprio aluno ensina aquilo que aprendeu está fixando ainda mais o conhecimento em sua memória. Com efeito, o profissional se torna apenas um intermediário entre conhecimento e educando.

No livro: “Futsal, as descobertas de Gael”, é apresentada a técnica de ensino Absorver – Processar – Reter (A.P.R.). No primeiro contato do educando com o aprendizado se realiza a fase de absorção. A segunda etapa é o processar, pensar sobre, refletir, analisar. E por último o reter, este último passo é quando o conhecimento fixa na memória, grava, ganha estrutura. Para tanto é necessário, discutir sobre, debater, ensinar o que aprendeu. E Essas três etapas são fundidas na respectiva metodologia.

Portanto, mais que apenas uma maneira de ministrar as aulas, o método ativo é uma ferramenta que se bem administrada pode promover um aprendizado alegre e prazeroso.

Gabriel Silva é licenciado em educação física pelo Centro Universitário Módulo, autor do livro: “Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

Email: prof.gabrielsilva@outlook.com

 


domingo, 14 de março de 2021

Crianças Dinamarquesas

Texto escrito por Gabriel Silva

“As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas. Têm que ser sentidas com o coração”. Helen Keller (2015, pg. 63).

Você sabia que a população Dinamarquesa fora considerada a mais feliz do mundo por mais de quarenta anos consecutivos, segundo a OECD (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico)?

Quando investigado os princípios destes números tão significativos, fora descoberto que o brincar é um dos principais fatores a estes resultados.

Na formação das crianças, as brincadeiras são conteúdos de extrema importância no currículo escolar Dinamarquês. Aliás, na maioria das escolas e colégios infantis disponibilizam 3 (três) horas por dia exclusivo a brincadeiras.

Só que um dos segredos deles não consiste em apenas aplicar atividades, eles prezam pelo desenvolvimento da autonomia, segurança e confiança dos alunos. Isto se dá por estratégias a deixarem os alunos a experimentarem e vivenciarem os demais tipos de situações dentro da brincadeira. Desde tentar e não conseguir realizar determinado movimento até terem que resolverem conflitos internos.

O professor, neste contexto deve ter a sensibilidade de entender o momento correto de intervir nestas situações. Por exemplo: uma criança quer subir numa árvore da qual faz parte da atividade, porém, a criança apresenta dificuldades para realizar. Quando o profissional interfere e de cara já aponta outras possibilidades para o aluno sem oportunizá-lo a pensar estará inibindo a construção de um ser pensante além de não possibilitar ao aluno auto entender a preciosidade de pensar em alguma outra forma ou solicitar ajuda ao professor.

Os Dinamarqueses acreditam que na formação o mais importante não são a aplicação das atividades politicamente correta, mas como que determinadas atividades contribui no desenvolvimento humano.

Neste sentido, o “brincar” não quer dizer tocar violino, praticar algum esporte ou ir a uma festa organizada por adultos. O termo remete em deixar a criança livre para fazer o que quiser, com amiguinhos ou sozinhos, como bem entender, por quanto tempo for. Alguns profissionais e até pais que permitem a existência deste tipo de atividade no fundo se sentem culpados de admitir. É que no fim das contas achamos que estamos sendo professores ou pais/mães melhores quando ensinamos alguma coisa. Brincar muitas vezes parece desperdiço de tempo quando poderiam estar fazendo algo mais “produtivo”. Porém, é perceptível que as brincadeiras, sobretudo, no contexto infantil trazem grandes possibilidades no desenvolvimento de pessoas mais felizes.

Claro que aplicar brincadeiras em excesso ou focar em apenas nisso não estará necessariamente construindo pessoas felizes, mas já estará no caminho certo e com uma grande estratégia nas mãos para promover conhecimentos.

Gabriel Silva é licenciado em Educação Física. Autor do livro: “Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

Email: prof.gabrielsilva@outlook.com

 

domingo, 7 de março de 2021

As três dimensões do esporte

 


As três dimensões do esporte

Texto escrito por Gabriel Silva

No processo de ensino aprendizagem há três pilares a cerca do esporte que precisam ser avaliados para se contextualizar com a realidade e conseguir traçar os objetivos adequados.

A primeira é o “esporte educação”, que segundo Maya (2010), o principal objetivo é promover a democratização dos movimentos. Ou seja, dar oportunidade a todos independente de suas capacidades. Sem exclusão e descriminação alguma. Todas as ações dos participantes de maneira igualitária em relação ao grupo. Esta prática pedagógica também referenciada no processo atitudinal, visa à formação social e educacional de cada indivíduo ali inserido.

O segundo pilar é o “esporte participação” que segundo Tubino (2009), é caracterizado com a proposta lúdica na aplicação das atividades de modo oferecer aos participantes bem estar, bom convívio coletivo e diversão durante a prática esportiva. Esta possibilidade de atuação carrega por si ótimas oportunidades de agregar valores e conceitos nas atividades para que os educandos aprendam de modo divertido e descontraído as atividades desenvolvidas. Se tratando de iniciação, este segundo pilar é praticamente imprescindível nas aulas, desde que busque contribuir com os objetivos e propostas do esporte.

A última dimensão é o “esporte performance” também conhecido como alto rendimento. Darilio (2008) faz referência a este pilar expondo que o medo apresenta uma tendência a ser praticado pelos talentosos. Tendência que marca seu caráter antidemocrático. Em outras palavras apenas os melhores tem as oportunidades. Apenas os melhores podem atuar no esporte. Apenas os melhores podem usufruir deste direito social.

É comum, aliás, a distorção destes três pilares pelo profissional de Educação Física. É necessário freqüentemente a reflexão para que ocorra a sistematização e organização de maneira justa e coerente com a realidade de ensino. Esta organização se ganha força quando os educandos se conectam com o profissional a partir de diálogos e rodas de conversas para que os objetivos sejam sempre debatidos de forma democrática entre todos.

Não aponta-se nenhum destes três pilares um modo correto ou incorreto de metodologia, estratégia ou modelo de atuação, o que sugerimos é que seja de ante mão bem avaliado os propósitos de determinado grupo ou comunidade para que o esporte seja socialmente saudável entre os praticantes, independentemente se é utilizado o “Esporte educação”, “Esporte participação” ou “Esporte performance”.

Gabriel Silva é licenciado em Educação Física. Autor do livro: “Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

Email: prof.gabrielsilva@outlook.com

 


domingo, 28 de fevereiro de 2021

Espetáculo ou sociabilidade?


Texto escrito por Gabriel Silva

Um filho pergunta ao pai:

Será que posso jogar com eles?

O pai responde:

Por qual razão não poderia?

O menino argumenta:

Porque eles são melhores a mim!

O pai reflexivo responde:

Mas o esporte não é para os melhores e sim para todos.

Certa vez, em uma quadra pública localizada na orla da praia de uma cidade anônima, praticavam vôlei de praia um grupo de quatro amigos da qual o nível técnico que apresentavam era admirável de se assistir. Alguns que passavam fazendo suas caminhadas diárias paravam para acompanhar um pouco daquele momento. Pessoas próximas á partida se atentavam aos bonitos e charmosos movimentos técnicos do vôlei que seus jogadores aplicavam.

Aos que assistiam aquele jogo consideravam o vôlei um esporte fácil a se praticar, visto a facilidade que o grupo imprimia.

O filho que então fora incentivado pelo pai a jogar ali junto daqueles outros, decide, portanto a se declarar o próximo a entrar.

Conforme combinado, o menino que havia jogado poucas vezes o vôlei de praia, mas que tinha muita vontade de aprender, presenciou sua dupla perder de 7 x 0 e serem derrotados ao encostar apenas duas vezes na bola.

Após tal insucesso, um dos jogadores o informou que não poderia mais jogar, pois seu nível estava á baixo ao deles.

O menino se aproxima ao pai e o questiona novamente:

Eu lhe disse que era ruim, porque pediu para eu jogar mesmo assim?

Ora, filho, mas quem disse que é preciso ter grandes habilidades para praticar qualquer que seja o esporte?

Não deveria ter jogado. Todas as pessoas que os assistiam se dispersaram depois que eu entrei. O “espetáculo” acabou e eu estraguei o jogo deles.

O pai, com um sorriso torto concluiu:

O errado não foi você ter jogado e perdido. O errado foram eles não ter lhe ensinado e deixado você participar novamente.

A moral que a história nos traz é oculta e deve haver uma profunda reflexão para entender e compreender que o esporte deve ser encarado além de movimentos corporais, além de movimento saúde, e além de um espetáculo. Apesar de todas essas possibilidades, o grande desafio para quem intermédia o esporte é promover uma prática igualitária e justa aos que ali praticam. Caso contrário, pode haver graves conseqüências, inclusive transtornos psicológicos.

Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.


domingo, 21 de fevereiro de 2021

A relação de Martin Luther King Jr. com o esporte

 

Texto escrito por Gabriel Silva

Ora, Gabriel, mas o que tem a ver uma coisa com a outra? Martin foi um líder da revolução negra, da qual lutou pela agregação de sua classe racial. E o esporte é uma prática de movimentos corporais.

Se pensarmos o esporte enquanto educação social, desenvolvimento humano, formação de pessoas, iremos remeter aos mesmos conceitos de inclusão que Martin tanto lutou no passado.

O esporte, sobretudo em contextos educacionais, bem como escolas, projetos sócio-esportivos e até em alguns casos do alto rendimento deve-se prezar pela prática justa entre os praticantes.

Mas como se determina se algo é justo ou injusto?

O próprio Martin, em seu livro “Porque não podemos esperar” difere a justiça da injustiça. Assim, ele relata que algo justo é aquilo que se enquadra e está em harmonia com leis morais. E o injusto, aquilo que não se enquadra e não se harmoniza com a lei moral.

Segundo ainda, São Tomás de Aquino: “Qualquer lei que eleva a personalidade humana é justo. Qualquer lei que degrada a personalidade humana é injusto”.

Neste sentido, quando ocorre à segregação no esporte seja ela em qualquer aspecto: gênero, físico, mental, social, racial, está sendo praticado, portanto, a injustiça.

Recentemente, nas redes sociais (instagram) viralizou um vídeo, em uma partida de futsal, na qual um dos atletas não continha movimentos com as pernas, assim, ele jogou sobre quatro apoios e suas ações com a bola eram realizadas com uma das mãos.

Este momento foi marcante aos que assistiram e ficou claro que o ato de justiça é algo simples e que precisa ser propagado com mais freqüência no contexto esportivo.

Luther King Jr. em sinal de exemplo e integridade optou pela não violência em suas marchas de reivindicação, logo a maior força de seu grupo era o exemplo, o amor e o poder de contagiar as pessoas de maneira gradativa. Aos que observavam tal movimento se encantavam e mesmo sem ouvir uma única palavra se juntavam aos outros. No final um grupo que se iniciou relativamente pequeno se expandiu a números significativos.

Não se resume em impor as regras, ou exigir a todo custo que o esporte seja para todos, mas apresentar os verdadeiros valores que a prática em conjunto pode vir a promover uma sociedade saudável sem a segregação de nada ou ninguém.

Logo, Martin Luther King Jr. tem sim, tudo a ver com o esporte.

Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

 

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Meninos e meninas podem praticar esporte juntos?

 

Meninos e meninas podem praticar esporte juntos?


Texto escrito por Gabriel Silva

Na atualidade, a única modalidade esportiva capaz de unir o sexo masculino e feminino num modelo formal é o hipismo. Sem restrição de categorias e regras o hipismo também considerado esporte olímpico atende os dois gêneros sem desigualdades.

Já em praticamente todas as outras modalidades há a separação entre meninos e meninas, homens e mulheres.

Pela ótica da fisiologia, o sexo masculino possui maior aptidão física em relação ao feminino. Por conseqüência a divisão das categorias são justas e indiscutíveis.

Pensando principalmente em esportes de invasão ambos os sexos podem atuar juntos até a puberdade, que varia dos oito aos 13 anos. A partir deste período os corpos começam a ganhar proporções diferentes de modo que inicia o diferencial masculino, no aspecto físico.

Mas e dentro da escola e dentro de projetos sociais da qual não há a possibilidade de criar outros horários de atividade, alem de ser importante a interação entre os alunos? Como trabalhar isso?

O esporte quando chega ao contexto escolar e em projetos sociais deve entrar com uma configuração diferente em relação a clubes e formações de atletas. Neste sentido Altmann (2011), diz que o esporte pode ser apresentado enquanto lazer, saúde, prazer e sociabilidade.

O profissional da educação física se encontra como um dos principais intermediadores desta questão entre gênero e esporte. São a partir de atividades em conjunto de ambos os sexos que poderá iniciar uma ressignificação destes valores que o esporte agrega e por conseqüência esplandecer a importância da relação entre meninos e meninas num mesmo esporte, jogo ou brincadeira.

Embora, em determinados casos os meninos irão apresentar maior habilidade ou maior capacidade física, as meninas também irão se sobressair em relação aos meninos em outras oportunidades. Vale lembrar que a ideia não é apresentar que um é melhor que outro. A ideia é que o esporte seja uma ponte a aspectos sociais, promover a igualdade e uma prática esportiva saudável, de modo que todos possam participar de maneira igual. Jogando o mesmo tempo. Participando com a mesma freqüência e sentindo o gosto da vitória e da derrota na mesma proporção.

Gabriel Silva é licenciado em educação física, autor do livro: Futsal, as descobertas de Gael” e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

 

Quem é o menino Gael

  Texto escrito por  Gabriel Silva Antes de discorrer sobre as características do menino, julgo importante aqui esclarecer que ele é um pe...